segunda-feira, 26 de setembro de 2011

CONVERTER-SE E SEGUIR A JESUS...


"Simão, filho de João, tu me amas? ... Sim, Senhor ... Apascenta minhas ovelhas ... Quando eras jovens ... andavas por onde querias; quando fores velho ... outro te conduzirá aonde não queres" (Jo 21).

Acontece-nos frequentemente de as árvores não nos deixarem ver o bosque. E isso também ocorre muitas vezes no terreno da espiritualidade. Para muitos católicos, esta palavra lembra a verdadeira multidão de exigências, iniciações e noções teológicas, que acabam por encobrir o seu núcleo, simples e essencial. Já outros parecem confundir uma ou outra "árvore" importante com o "bosque", identificando a espiritualidade (e falar de espiritualidade significa falar de vida cristã) com a oração, a cruz ou ato de entregar-se aos outros...
O Evangelho nos revela a raiz de toda a espiritualidade, devolvendo-nos a exigente simplicidade da identidade cristã. Ele nos ensina que ser discípulo de Jesus significa segui-lo e que nisso consiste a vida cristã. Jesus "exigiu" fundamentalmente que  seguíssemos. E todo o nosso cristianismo se alicerça em nossa resposta a esse chamado. Desde então, a essência da espiritualidade  cristã reside em seguir a Cristo sob a guia da Igreja.
Ser cristão significa seguir a Cristo por amor. É Jesus que nos pergunta se O amamos, somos nós que respondemos que sim, é Ele que nos convida a segui-lo (Simão, filho de João, tu me amas? ... Sim, Senhor ... Apascentas minhas ovelhas... (Jo 21). E isso é tudo. Simples, assim. Ainda que ignorantes e cheios de defeitos, Jesus nos conduzirá à santidade, com a condição de que comecemos por amá-lo e tenhamos o valor de seguí-Lo.
O cristianismo não consiste apenas no conhecimento de Jesus e de seus ensinamentos, transmitidos pela Igreja. Consiste também em seguí-Lo. Somente nesse ato é que se verifica nossa fidelidade. Ato de seguir que é a raiz de todas as exigências cristãs e o único critério para se avaliar uma espiritualidade. Assim, não existe uma "espiritualidade da cruz", mas sim do seguimento, que, em certos momentos, nos exigirá a cruz. Não existe uma "espiritualidade da oração", mas sim do seguimento, que nos leva a incorporarmo-nos à oração, daquele a quem seguimos. Não existe uma "espiritualidade da pobreza", mas sim do seguimento, que nos despojará, se seguirmos fielmente um Deus empobrecido. Não existe uma "espiritualidade do compromisso", pois todo compromisso ou entrega aos outros é fruto da fidelidade ao caminho seguido por Jesus.
Seguir a Cristo implica na decisão de submeter-se todos os outros seguimentos sobre a terra ao seguimento de Deus feito carne. Por isso, falar em seguir a Cristo é falar de conversão, de "vender tudo", na expressão evangélica, contanto  que adquira essa pérola e esse tesouro escondido representados pelo ato de seguir a Jesus (Mt 13, 44-46). Somente Deus pode exigir um seguimento como esse, pois seguir a Jesus significa seguir a Deus, o único Absoluto.

(Segundo Galilea)

Postado por: lekinha

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