sábado, 26 de março de 2011

continuando ... FÉ - CRENÇA - CRENDICE


1.Aqui também, como nos casos da periferia da Fé, distingamos alhos de bugalhos. Há entre nós muita confusão entre esse três conceitos.
  
    1.1. Crendice - é uma materializada, inadequada, que atribui às coisas como tais os efeitos da Fé. À coisa como tal, ao modo de usá-la é atrubuído  a força, o efeito, e não ao Criador e Senhor das coisas. Assim, por exemplo, o objeto benzido, a água benta: não é um objeto em si que vai produzir o efeito, mas Cristo que, através da Igreja, abençoa e abençoa-me, abençoa o uso da coisa. Aqui vale também o princípio que vimos acima: a Fé se dirige a Quem me revela, a Cristo, e não diretamente ao objeto revelado, abençoado. A crendice atribui às coisas e ritos em si um poder mágico, materializado. Uma Fé esclarecida, adulta, verdadeira, não para no objeto, na coisa, mas vai a Deus.
Fora das bênçãos (os sacramentos) da Igreja - coisas boas, quando bem entendidas -, temos a fértil proliferação dos feitiços e mal feitos, campo vastíssimo da ignorância religiosa. Nesses casos saberemos que todos os efeitos - os fenônemos - são explicados, pela sugestão  e condicionamento do inconsciente-subconsciente. E nada de força e duendes do além que andariam encostando-se por aqui...
E por falar em inconsciente-subconsciente, é bom não esquecer que foi o Bom Deus que o criou como próprio da natureza humana. E por que Deus não poderia muitas vezes estar usando essas poderosa força que Ele mesmo colocou no Homem, condicionando o maior ou menor efeito da própria bênção à maior ou menor sugestão do nosso subconsciente?
Crendice é, pois, a fé, a crença quase-mágica no poder do objeto como tal - na força do objeto - sem o endereço certo: Deus, a Igreja,

   1.2. Crença - "acreditar" - É aceitar intelectualmente as verdades e mesmo emocionar-se com elas, fazer-lhes a apologia, invocá-las e invocar o Senhor, mas deixá-las só como crença e não fazendo com que desçam ao coração, à vida. Cristo, já condenava tal atitude, a crença dos lábios: Mt 15, 7-8; 7, 21-23. E  o Espírito Santo, através de Tg 2, 14-26, deixa bem claro que a Fé sem obras, sem a vida, é crença vazia, é acreditar sem estar comprometido com as obras da Fé: a justiça, a fraternidade, o amor, seria tão somente o papo da Fé.É muito comum, por aí, verem-se pessoas que acreditam, que vivem arrotando verdades da Fé; mas, na vida prática mesmo ... Já nos advertia Cristo: "Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a Vontade de meu Pai" - aquele que realmente se compromete com o Plano do Pai... (Mt 7,21-23). As verdades da Fé devem entrar pela cabeça, descer ao coração e sair pelas mãos ... em obras!

    1.3. Ter Fé - Vida de Fé - É quando as verdades da Fé comandam, orientam, decidem a Vida, tornam-se critérios de Vida. Quando provamos nossa Fé, não com palavras somente, não com identificações religiosas em documentos oficiais, mas com a vida. Quando nossa vida é coerente com a Fé que professamos. Quando aceitamos Deus e sua Providência, tanto na alegria como na dor. É quando temos a coragem de assumir o Plano de Deus, de proclamá-lo com a Vida e de denunciar, sem covardias, tudo o que esteja contra ele por estar contra a Fé.

Fonte: O Plano de Deus - J. Ribólla

Postado por: lekinha


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